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E se a prova não estiver apenas medindo o que o aluno aprendeu, mas também mudando a forma como ele aprende?
Tenho pensado bastante nisso nas minhas aulas. Quando o aluno percebe que, no fim, vai ser avaliado por uma prova, ele começa a organizar o esforço em torno disso. Aparecem aquelas perguntas que todo professor conhece: “Isso vai cair?”, “O que o professor quer?”, “Quanto eu preciso saber para tirar uma nota boa?”. E isso não é preguiça nem falta de interesse. É uma resposta bastante racional ao sistema que a gente montou.
Li esta semana um estudo na Higher Education que me chamou atenção justamente por isso. Ele acompanhou disciplinas universitárias que tentavam aproximar ensino e pesquisa. Enquanto os alunos estavam envolvidos em investigação, apareciam mais tentativa, erro, dúvida, discussão e descoberta. Quando a avaliação se aproximava, a lógica começava a mudar. A pergunta saía de “O que estamos tentando descobrir?” e ia para algo muito mais próximo de “O que eu preciso fazer para ir bem?”.
Eu reconheço muito isso em sala. Neste semestre, em Estatística na Universidade Federal de Pernambuco, estou tentando fazer a turma aprender os conceitos enquanto constrói uma pesquisa real. Tem questionário, coleta, organização dos dados, análise e discussão dos resultados. A estatística deixa de ser só uma coisa que precisa ser estudada porque vai cair na prova e passa a fazer falta para resolver um problema. E aí a pergunta muda: de “Isso vai cair na prova?” para “Como é que eu resolvo isso?”.
Não acho que a resposta seja acabar com prova. Nem de longe. Prova dá critério, dá previsibilidade e, em muitos casos, dá uma sensação importante de justiça. Mas acho que existe uma pergunta que a universidade precisa se fazer com mais frequência: se queremos alunos curiosos, críticos, criativos e capazes de resolver problemas, estamos avaliando de um jeito que ajuda a formar esse aluno?
No fim das contas, a avaliação não vem depois da aprendizagem. Ela já começa a moldar a aprendizagem muito antes da prova.
O link do trabalho está no primeiro comentário.
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O que faz um estudante de Administração pensar em abandonar a universidade?
Essa foi a pergunta que abriu uma série de carrosséis que publiquei nos últimos dias a partir de uma pesquisa realizada com 377 estudantes de Administração da UFPE.
Ao longo da série, fui abrindo os dados por partes. Falamos sobre intenção de desistir ou trancar, trabalho, deslocamento, teoria e prática, mercado, vida universitária, diferenças entre manhã e noite, flexibilidade e aquilo que os estudantes mais valorizam numa graduação.
A proposta foi simples: em vez de jogar todos os resultados de uma vez, transformar a pesquisa em uma sequência de perguntas e deixar que os dados fossem construindo a resposta.
Os carrosséis estão no meu Instagram. Os textos mais aprofundados foram publicados no Antes do Óbvio. E agora reuni tudo em um relatório completo, com análise descritiva, cruzamentos, respostas abertas e análises estatísticas complementares.
Um dado ajuda a dimensionar o problema: 41,8% dos estudantes que responderam à questão disseram que já haviam pensado em desistir ou trancar o curso.
Mas o restante da pesquisa mostra que a história é bem mais complexa do que esse número isolado.
Trabalho, tempo, deslocamento, organização do curso, experiência acadêmica, flexibilidade, mercado e vida universitária aparecem de maneiras diferentes e, muitas vezes, conectadas.
Este trabalho foi feito com a participação de alunos da cadeira de Estatística no semestre 2025.1. O nome de todos está no relatório.
O relatório completo está disponível aqui:
https://lnkd.in/dWQU6h7x
A série de carrosséis está no Instagram e os textos analíticos, no Antes do Óbvio.
A conversa sobre inteligência artificial nas empresas está mudando.
Durante algum tempo, a pergunta foi: que ferramenta devemos usar?
Agora, a pergunta começa a ser outra: o que precisa mudar na forma como a empresa trabalha?
Porque IA não transforma uma organização apenas quando alguém aprende a fazer bons prompts. Ela começa a produzir impacto quando entra nos processos, altera a forma de desenvolver produtos, muda a maneira como equipes trabalham e obriga lideranças a reverem decisões que pareciam consolidadas.
É justamente essa mudança de perspectiva que orienta o REC’n’Play Capítulo IA, que faremos nos dias 30 de setembro e 1º de outubro, no NERD do Porto Digital, em parceria com o Sebrae Pernambuco. A comunicação é da Ampla Comunicação.
A programação foi desenhada em torno de cinco frentes: engenharia assistida por IA e vibe coding; agentes e empresas AI-first; product building; transformações na liderança e na sociedade; e aplicações de IA em setores tradicionais da economia.
A intenção não é fazer mais um evento para mostrar ferramentas.
É colocar na mesma sala quem está tentando entender o problema, quem está redesenhando processos e quem já está construindo soluções.
Tenho cada vez mais a impressão de que a próxima etapa da inteligência artificial será menos sobre acesso à tecnologia e muito mais sobre capacidade de reorganizar organizações a partir dela.
É essa conversa que queremos provocar no Capítulo IA.
As inscrições estão abertas !
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Há uma imagem de estudante universitário que continua orientando boa parte da organização dos cursos: alguém que estrutura o dia em torno da universidade, com tempo para assistir às aulas, estudar, participar de atividades e permanecer no campus. Essa imagem ainda existe, mas já não descreve boa parte dos alunos que encontramos na pesquisa com 377 estudantes de Administração da UFPE, realizada em 2025.
Só 32% disseram que apenas estudavam. A maioria conciliava a graduação com estágio, trabalho, empreendedorismo ou outras atividades. Isso muda bastante a forma como o curso entra na vida do aluno. Para quem trabalha, a universidade disputa espaço com horário de entrada, reunião, cliente, entrega, deslocamento, renda e uma rotina que já estava ocupada antes mesmo de a aula começar.
A diferença aparece com muita força nos dados. Entre os estudantes que trabalhavam ou empreendiam, 58,5% apontaram dificuldade para conciliar trabalho e graduação entre os principais desafios. Entre aqueles que só estudavam, foram 9,9%. Quase seis vezes menos.
Leia aqui: https://lnkd.in/d99QpJFy
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O curso de Administração está conectado o suficiente com o mercado de trabalho?
Quando se fala em formação em Administração, a discussão sobre mercado aparece quase automaticamente. Às vezes, de forma simplista: de um lado, a ideia de que a universidade deveria aproximar o curso das empresas; de outro, o receio de que isso transforme a graduação em treinamento para emprego. Os dados que levantamos com estudantes de Administração da UFPE sugerem uma questão mais interessante do que essa oposição.
Na pesquisa realizada em 2025 com 377 estudantes, apenas 11,7% apontaram diretamente “pouca conexão com o mercado de trabalho” entre os principais desafios para permanecer no curso. O percentual ficou abaixo de questões como deslocamento, conciliação entre trabalho e estudo e percepção de aulas muito teóricas, com pouca prática. Se olhássemos apenas para essa resposta, seria fácil concluir que mercado não ocupa um lugar tão importante na experiência dos alunos. Os cruzamentos, porém, mostram que o tema reaparece de outras formas.
Leia aqui: https://lnkd.in/dgPg22cv